6.20.2016

A escrava Isaura, Bernardo Guimarães

Imagem retirada do google.

Enredo:


         A escrava Isaura romance do escritor Bernardo Guimarães, publicado originalmente em 1885 narra a história de uma escrava, de cor branca, filha de mulata e um português, o feitor da fazenda onde a mulata prestava seus serviços na condição de escrava. Depois de muito perseguido por seu senhor, por ser muito bonita, e por não ceder aos desejos deste, a mulata foi submetida aos piores castigos sob tutela do feitor, que logo se encantou pela beleza desta e resolveu contrariar as ordens do seu patrão e ao invés de castigos resolveu dá muito amor. E dessa relação nasceu Isaura que desde cedo foi adotada pela senhora da fazenda como forma de retribuição aos prejuízos causados por seu marido à mãe da garota.

         Isaura foi educada como se não fosse escrava; aprendeu a ler, cantar, tocar e se comportar "como gente branca". Além da alta educação e de todo talento, a mesma era dona de uma beleza incomparável que encantava a todos, principalmente a Leôncio, filho dos senhores da fazenda. Um tipo mau caráter, Leôncio quis repetir com Isaura o que seu pai havia feito com a mulata mãe de Isaura. Assim como a mãe, Isaura não cede aos desejos de Leôncio e é submetida também aos piores castigos, até que seu pai aparece para visita-la e juntos decidem fugir. Com essa fuga, os dois vão parar no Recife, chegando lá, logo Isaura se ver atraída por um moço, Álvaro, que avistara nos arredores da casa onde se abrigaram que logo passou a ser o verdadeiro amor da escrava. Mas a mesma na condição de escrava foragida jamais poderia revelar sua identidade, nem mesmo para aquele a quem se via completamente apaixonada e que também retribuía a seu amor. Mas esse segredo não foi mantido por muito tempo.


Opinião/Crítica

        O romance de Guimarães ficou conhecido principalmente pelas adaptações para telenovelas, mas também por se tratar de uma denúncia ao período escravocrata, que na época era aceito pela maioria com naturalidade, como também as diferenças sociais, raciais, de gênero e a objetificação do negro pela aristocracia do homem branco e rico. O negro era visto como uma raça inferior e semelhante a animais, desta forma privado totalmente de qualquer mobilização social. Mantidos como escravos e submetidos a trabalhos forçados nas fazendas e nos cafezais, sem nenhuma condição de vida humana, e como objeto de comercialização da aristocracia, eram trazidos principalmente da África, por meio de transporte marítimo e comercializados aqui no Brasil (e em outros países), principalmente no Rio de Janeiro.

         A obra de Bernardo tornou-se clássica por ser pioneira no grito pela liberdade e por melhores condições de vida para todos aqueles que em qualquer canto do planeta seja levado a viver em condições desumanas, em qualquer período histórico. Apesar dos avanços que se deram dois séculos depois da primeira publicação de A Escrava Isaura, estamos longe de uma igualdade de direitos para todos, e extinção da inferiorizarão pela cor da pele, o dito atualmente preconceito racial. Também é possível identificar, principalmente através da personagem Isaura, a submissão desta como escrava, mas também como mulher. Refém de Leôncio, Isaura se ver obrigada a renegar todo o talento que possui por acreditar serem eles o motivo de todo seu sofrimento, agindo como total submissa da sua condição. A condição de escrava desde o nascimento caracteriza e submete Isaura a tripla discriminação: classe, gênero e raça. Teria Isaura às mesmas oportunidades de ser adotada, vivido na casa grande junto de seus senhores, receber uma educação se sua cor não fosse branca?







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