6.17.2016

#1 - A desumanização, Valter Hugo Mãe


         Título: A desumanização
         Autor: Valter Hugo Mãe
         Editora:Cosac Naify, 2014
         Ficção Portuguesa


                 "Foram dizer-me que a plantavam. Havia de nascer outra vez, igual a uma semente atirada àquele bocado muito guardado de terra". pág.9


         É com essas palavras que Valter Hugo Mãe começa "A desumanização". Narrado através do ponto de vista de uma criança (Halla), que acaba de sepultar sua irmã gêmea, a Sigridur. Com toda inocência de quem tem apenas 10 anos, Halla acredita que a irmã estava sendo plantada, e que mais tarde viria a germinar.


         A história ambientada na Islândia, mais precisamente em uma charneca, próximo aos fiordes, um lugar pequeno e quase não se tem contato entre as pessoas, e por esse motivo Halla e Sigridur tem uma ligação muito forte uma com a outra, além da ligação que o livro descreve que elas têm por serem gêmeas. Com a morte da Sigridur, Halla se ver muito sozinha e obrigada a seguir em frente. Além da dor de ter perdido a irmã ela ainda tem que conviver em uma relação familiar um pouco complicada, principalmente com a mãe, o jeito como a mãe resolve lidar com a situação é bem violenta tanto pra si, como para os outros. E a garota desenvolve certo ódio pela mãe. Ao contrário da mãe, o pai das garotas é bem mais tranquilo e enfrenta o luto de uma forma mais artística.
Durante a leitura também é possível conhecer alguns aspectos culturais da Islândia, e a relação dos irlandeses com o território, com o divino , acreditavam eles que o território em si seria Deus.


"Começaram a dizer as irmãs mortas. A mais morta e a menos morta". pág.13


         Halla passou a ser considerada o resto. A estúpida, segundo a sua mãe. Deveria ter morrido para salvar a vida da irmã. Passou a ser chamada por todos a menos morta, aquela que morreria um pouco a cada dia. A que não deveria ser feliz, sua felicidade seria uma afronta a morte da Sigridur. A família toda a rejeitava. Com essa rejeição Halla resolve buscar apoio em outras pessoas, inclusive no Einar, um garoto ela e a Sigridur detestava-o, acreditava que ele era má, sujo, as duas tinha uma espécie de nojo dele, de certa forma ele contribuía para que elas não gostassem dele, abusa delas, tentava ter alguma coisa com elas, perseguia as garotas.

         Com a aproximação entre os dois iremos descobrir que o Einar tem uma história de vida também complicada, e existe um mistério na vida dele que envolve a família da garota, e que será descoberto por ambos no decorrer da história. A partir daí iremos acompanhar o amadurecimento da Halla de uma forma muito rápida, tantos dos seus pensamentos, como a relação dela com o mundo, com a família e principalmente com a sexualidade.  

         Além dessa história morte, perda, dor, superação, o livro tem uma relação muito bonita com a literatura. O pai das garotas gostava de escrever poemas, era o meio dele "conversar" com o mundo.

    "Os livros eram ladrões. Roubavam-nos do que nos acontecia. Mas também eram generosos. Ofereciam-nos o que não nos acontecia". pág.40



         Enfim, é um livro triste, um livro difícil, que incomoda em alguns aspectos, mas também é muito delicado. A escrita do autor é muito poética o que acaba suavizando a narrativa. Leiam! 





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By: Letícia Cabral

2 comentários:

  1. Oi Letícia, tudo bem?
    Eu ainda nao conhecia esse livro, mas gostei de conhecer. Ele aborda assuntos bem complicados né? como essa coisa da morte e do abuso. Infelizmente, muitas famílias agem assim com quem vive. Preferem viver o luto pela morte, do que comemorar pela vida :(
    Beijooos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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  2. Oi Gih, é um livro incrível, uma narrativa bem poética, mas bastante triste. Espero que você tenha a oportunidade de lê-lo um dia. É um livro pouco conhecido, acredito que por ser da Cosac, merece um reconhecimento maior. Bj!

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