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Em algum momento em sua vida você, professor ou não, já se fez a seguinte pergunta: "Até onde eu tenho responsabilidade no 'fracasso' das crianças em sala de aula?" ou ainda, "O modo como eu me relaciono com meus alunos influencia na sua aprendizagem?". E você aluno, já parou para refletir que o modo como você e seu professor se relacionam dentro da sala de aula pode influenciar tanto positivamente quanto negativamente na sua aprendizagem?
Frequentemente somos bombardeados de informações do que pode ou não interferir na aprendizagem das crianças, entre elas a estrutura familiar, fatores psicológicos, grupos sociais, alimentação, entre outros são sempre identificados quando a criança começa a aparecer com resultados negativos nas atividades avaliativas e/ou no mau comportamento. E pra cada um desses fatores surgem de imediato o diagnóstico. E quando a criança mesmo que não seja diagnosticada com nenhum desses problemas continue apresentando problemas, o que pode ser? A primeira coisa que deve ser feita é uma análise de como essa criança se relaciona em sala de aula com os professores e colegas. Se a criança não se sente a vontade para questionar, opinar, errar e aprender, se está sempre com medo de fracassar para não ser alvo de chacota entre os colegas nem receber broncas do professor, possivelmente essa criança não terá resultados satisfatórios. A maneira como o professor aceita o erro do aluno também é muito importante na aprendizagem do mesmo. O erro deve ser encarado de maneira com que o aluno sinta a necessidade de correr atrás, buscar aprender com ele e superar seus desafios.
Essa reflexão veio através da leitura de David Copperfield (Charles Dickens), mesmo se tratando de um romance e não de um livro teórico e/ou didático, em certos momentos onde o narrador fala sobre o período em que o David passa na escola interna, onde o "sistema de ensino" era muito rigoroso e com professores cruéis e que estavam sempre disposto a castigar as crianças mesmo que essas não tenham feito nada, e me fez como professora refletir na questão do quanto somos responsáveis pelos resultados obtidos por nossos alunos. Abaixo irei mostrar alguns quotes do livro os quais me fez refletir sobre o assunto abordado aqui.
"Um infeliz infrator, considerado culpado de um exercício imperfeito,
se aproxima por sua ordem. O culpado gagueja desculpas e professa
a determinação de fazer melhor amanhã". (pág. 145)
No trecho acima, o narrador trata a criança como um infeliz infrator a caminho do juiz que seria o professor, a sentença seria o exercício errado. O sentenciado ainda apresenta sua redenção que é a promessa de fazer melhor no dia seguinte. Lembrando que falamos aqui de um processo "ensino-aprendizagem". Logo a seguir, em outro trecho, o narrador fala quais os resultados e avanços obtidos em uma educação "bancária", onde só o professor tem razão, onde só o professor sabe tudo, muito longe e diferente de ser a educação libertadora e humanista proposta pelo o educador Paulo Freire na qual aplicamos hoje, ou buscamos todo dia por em prática. Onde a criança sinta prazer em aprender e não aprenda por medo de errar.
"Tão perturbados e tão castigados para aprender que não conseguiam
progredir nada além do que aqueles que conseguem progredir numa vida
de constantes infortúnios, tormento e preocupação". (pág. 151/152)
Apesar de David Copperfield se tratar de uma ficção, é necessário que façamos sempre essa reflexão, de como o que estamos transmitindo para nossas crianças está tendo resultado. E está sempre garantindo que a educação que nossos alunos estão recebendo, seja uma educação humanista e libertadora, onde o erro é a oportunidade de fazermos melhor e não motivo de repreensão, castigo e fracasso.

Nunca pensei que este livro trouxesse este tipo de reflexões! Tenho de ler um dia, porque eu também tenho essa função de ensinar :)
ResponderExcluirOi Márcia, é um prazer ter ver por aqui. Pois é, eu também não pensei e por ser tão aleatório ou não, passa despercebido. Acho que me tocou muito porque estou passando um tempo afastada da sala de aula e não sei como funciona o ensino aí em Portugal, mas no Brasil é complicado e ando um pouco desmotivada e sem querer voltar pra sala de aula, enfim... É um livro incrível, apesar de ainda não ter concluído eu super indico, e indico também o Grandes Esperanças do mesmo autor, que por sinal eu li esse ano e é tão maravilhoso quanto esse está sendo. Beijos!
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