Autor: Valter Hugo Mãe
Editora:Cosac Naify, 2014
Ficção Portuguesa
"Foram dizer-me que a plantavam. Havia de nascer outra vez, igual a
uma semente atirada àquele bocado muito guardado de terra". pág.9
É com essas palavras que Valter Hugo Mãe começa "A
desumanização". Narrado através do ponto de vista de uma criança (Halla),
que acaba de sepultar sua irmã gêmea, a Sigridur. Com toda inocência de quem tem apenas 10 anos, Halla
acredita que a irmã estava sendo plantada, e que mais tarde viria a germinar.
A história ambientada na Islândia, mais precisamente em uma
charneca, próximo aos fiordes, um lugar pequeno e quase não se tem contato
entre as pessoas, e por esse motivo Halla e Sigridur tem uma ligação muito
forte uma com a outra, além da ligação que o livro descreve que elas têm por
serem gêmeas. Com a morte da Sigridur, Halla se ver muito sozinha e obrigada a
seguir em frente. Além da dor de ter perdido a irmã ela ainda tem que conviver
em uma relação familiar um pouco complicada, principalmente com a mãe, o jeito
como a mãe resolve lidar com a situação é bem violenta tanto pra si, como para
os outros. E a garota desenvolve certo ódio pela mãe. Ao contrário da mãe, o
pai das garotas é bem mais tranquilo e enfrenta o luto de uma forma mais
artística.
Durante a leitura também é possível conhecer alguns aspectos
culturais da Islândia, e a relação dos irlandeses com o território, com o
divino , acreditavam eles que o território em si seria Deus.
"Começaram a dizer as irmãs mortas. A mais morta e a
menos morta". pág.13
Halla passou a ser considerada o resto. A estúpida, segundo
a sua mãe. Deveria ter morrido para salvar a vida da irmã. Passou a ser chamada
por todos a menos morta, aquela que morreria um pouco a cada dia. A que não
deveria ser feliz, sua felicidade seria uma afronta a morte da Sigridur. A família
toda a rejeitava. Com essa rejeição Halla resolve buscar apoio em outras
pessoas, inclusive no Einar, um garoto ela e a Sigridur detestava-o, acreditava
que ele era má, sujo, as duas tinha uma espécie de nojo dele, de certa forma
ele contribuía para que elas não gostassem dele, abusa delas, tentava ter
alguma coisa com elas, perseguia as garotas.
Com a aproximação entre os dois iremos descobrir que o Einar
tem uma história de vida também complicada, e existe um mistério na vida dele
que envolve a família da garota, e que será descoberto por ambos no decorrer da
história. A partir daí iremos acompanhar o amadurecimento da Halla de
uma forma muito rápida, tantos dos seus pensamentos, como a relação dela com o
mundo, com a família e principalmente com a sexualidade.
Além dessa história morte, perda, dor, superação, o livro
tem uma relação muito bonita com a literatura. O pai das garotas gostava de
escrever poemas, era o meio dele "conversar" com o mundo.
"Os livros eram ladrões. Roubavam-nos do que nos
acontecia. Mas também eram generosos. Ofereciam-nos o que não nos
acontecia". pág.40
Enfim, é um livro triste, um livro difícil, que incomoda em
alguns aspectos, mas também é muito delicado. A escrita do autor é muito
poética o que acaba suavizando a narrativa. Leiam!
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By: Letícia Cabral

Oi Letícia, tudo bem?
ResponderExcluirEu ainda nao conhecia esse livro, mas gostei de conhecer. Ele aborda assuntos bem complicados né? como essa coisa da morte e do abuso. Infelizmente, muitas famílias agem assim com quem vive. Preferem viver o luto pela morte, do que comemorar pela vida :(
Beijooos
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/
Oi Gih, é um livro incrível, uma narrativa bem poética, mas bastante triste. Espero que você tenha a oportunidade de lê-lo um dia. É um livro pouco conhecido, acredito que por ser da Cosac, merece um reconhecimento maior. Bj!
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